Protestos a favor da lei da blasfêmia agitam o Paquistão

Protestos a favor da famosa lei da blasfêmia islâmica ressaltaram novamente a frágil posição das minorias religiosas do país

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No último sábado (25), a vida dos paquistaneses praticamente parou depois que a polícia, paramilitares e outras autoridades entraram em confronto com rebeldes na capital, Islamabad, resultando em protestos e bloqueios rodoviários espalhados por cidades de todo o país. No centro dos protestos estava o partido político islâmico Tehreek-e-Labaik, que acusou a polícia de ser dominada por cristãos e outras minorias religiosas.

Em uma coletiva de imprensa no dia seguinte, antes de chegar a um acordo com o governo e de os protestos serem interrompidos, o porta-voz do Tehreek-e-Labaik, Muhammad Afzal Qadri, disse: “Parece que os não-muçulmanos estavam conduzindo a operação. Havia poucos muçulmanos. Quando nosso respeitável líder pediu a eles que não atacassem o protesto, poucos deles agiram positivamente. Por isso, supomos que não-muçulmanos foram implantados para lidar com os manifestantes”. Segundo Muhammad, a polícia é formada por cristãos e outras minorias.

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Por que ocorreu a manifestação?

No Paquistão, todo muçulmano, sob a forma de um bilhete de identidade nacional ou como membro de uma assembleia, tem que declarar que é muçulmano e que acredita que Maomé foi o profeta final. Os muçulmanos representam cerca de 95% da população total do Paquistão. Cerca de 60% deles do Paquistão são sunitas, e a maioria, inclusive os membros do Tehreek-e-Labaik, fazem parte dos Barelvis (movimento islâmico sunita formado em 2015).

Os Barelvis são partidários da rígida lei de blasfêmia e desejam instaurar a sharia (conjunto de leis islâmicas). O movimento foi a favor da pena de morte ordenada à cristã Asia Bibi, em 2010. O ex-governador de Punjab, Salman Taseer, que pediu a libertação de Asia, foi assassinado por um Barelvi, Mumtaz Qadri, que havia trabalhado como segurança dele. Qadri foi saudado como um herói e verdadeiro defensor da fé.

Nas manifestações, pelo menos sete pessoas morreram, 200 ficaram feridas e dez furgões policiais foram incendiados no sábado. Os manifestantes usaram máscaras, varas, pedras e armas, e entraram em confronto com cerca de 8 mil policiais e paramilitares, que dispararam balas de borracha, gás lacrimogêneo e canhão de água. Centro e quarenta e quatro pessoas foram presas. Os órgãos reguladores da imprensa tentaram fazer com que o evento não fosse divulgado, mas ele chegou às redes sociais e a outros lugares do país.

 

Fonte: Portas Abertas
Imagem: reprodução/ilustrativa

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