O cristão entre dois mundos!

O cristão é cidadão de dois mundo, sua vocação é fazer brilhar a Glória de Deus como cidadão dos dois reinos.

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Por esses dias pedi a um jovem crente que me ajudasse com a produção de um vídeo de divulgação de nossa conferência anual, e pedi que partisse da ideia central da conferencia que será “Cosmovisão Cristã”. Quando me enviou o vídeo para que eu pudesse aprovar uma coisa me chamou muito a atenção, ele utilizou por algumas vezes a ideia de que “somos cidadãos de dois mundos”, e desde então isso não tem saído de minha cabeça.

Estava aqui a pensar com meus botões em como nós cristãos temos nos relacionado com o mundo em que estamos inseridos, e algumas posições têm sido defendidas no meio cristão. As posições me lembram a lista do teólogo e cientista social Richard Niebuhr que enumerou as relações do cristão e a cultura da seguinte maneira:

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Cristo da cultura ou Assimilação: a aceitação tácita que o cristianismo é compatível (e às vezes, se iguala) à cultura de seu ambiente.
•Cristo contra a cultura ou Rejeição: a posição oposta da anterior. Atitude até sectária que considera o “mundano” como inerentemente maligno, portanto, irreconciliável com a mensagem de Cristo. Tudo é impingido pelo pecado e o melhor que o cristão pode fazer é separar-se dessa contaminação
•Cristo acima da cultura ou Síntese: o mundo, sendo criação divina, possui coisas boas e úteis, mas é imperfeito e somente por meio da graça de Deus pode haver uma plenitude.
•Cristo e a cultura em paradoxo ou Dualismo: “estar no mundo, mas não ser do mundo” -– atitude de tensão entre usufruir o que há na cultura, mas com consciência que toda moeda possui dois lados.
•Cristo o transformador da cultura ou Conversão: perspectiva ativa do papel da religião na cultura. A cultura é criação divina, mas o pecado contamina tudo, porém é possível redenção por ato de graça.

Como não é minha intenção me deter na explicação de cada uma delas, apesar de me inclinar a concordar com a última posição, gostaria de me ater apenas em resumir os diferentes pensamentos que nós cristãos temos em pelo menos três grupos.

Primeiro aqueles que creem que o cristão pertence apenas ao mundo celestial, um cidadão apenas do reino de Deus. Estes são os que tentam viver neste mundo sem ter o mínimo de envolvimento com ele, e isso envolve todas as esferas da vida, sejam elas familiar, cívica ou religiosa. Me lembram os primórdios do “monasticismo” por volta dos séculos II ao IV, em que muitos religiosos por não concordarem com a “secularização” da igreja se retiraram para o deserto. Ali viviam uma vida de reclusão, contemplação de Deus, orações e meditação na Palavra. Destes se destacaram homens como Antônio o “Eremita”, mais conhecido como Santo Antão e que se retirou para a vida monástica a fim de fugir das tentações deste mundo, mas observe o que ele escreveu sobre esta experiência: ““…. Aquele que se assenta em solidão e quietude escapou de três guerras, ouvir, falar e ver, entretanto com uma coisa ele continua lutando, seu próprio coração…”. Uma prova de que por mais que o cristão tente se afastar da sociedade para não ser contaminado pelo pecado, de nada lhe adianta, pois como o Senhor Jesus Cristo disse: “Mas, o que sai da boca, procede do coração, e isso contamina o homem. Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, fornicação, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias” (Mateus 15.18.19).

Um segundo grupo são aqueles que vivem apenas como cidadãos deste mundo. São cristãos que se deixaram influenciar pelo mundo em sua forma de pensar e agir. Estes não atentaram para os alertas da Palavra de Deus, como a instrução de Paulo aos romanos que diz: “ E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” (Romanos 12.2), ou ao apóstolo João: “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo.” (1João 2.15.16). Seus pensamentos estão nas coisas desta terra, suas prioridades estão aqui, suas ambições pertencem apenas a esta vida, e vivem como se nunca fossem deixar este mundo. Tudo em suas vidas é mais importante que o Reino de Deus, seu trabalho, seu lazer, seus bens, seus desejos vaidosos, e tudo mais que satisfaça seus interesses. Por isso não os vemos amando a Deus e a Sua Palavra, seus afazeres são mais importantes que a congregação dos santos no dia do Senhor, o cuidado e instrução da família através do ensino e “culto doméstico” deram lugar ao seu individualismo. Afinal, vivem neste mundo como se houvesse um dia final em que prestarão contas ao Governante de todo o universo.

E por último, aqueles que vivem como cidadãos de dois mundos. Estes são os que sendo cristãos têm a difícil tarefa de viver neste mundo sabendo que não pertencem a ele. Pode parecer contraditório dizer que somos cidadãos de dois mundos, mas que não pertencemos a este mundo, mas não é. Pois todos nós que fomos salvos não fomos levados direto ao céu após nossa conversão, ao contrário, Jesus pediu: “Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal” (João 17.15). E se temos que viver aqui, então vivamos de uma forma que glorifique aquele que nos resgatou. Ser um cidadão do céu e da terra é viver de modo digno da vocação com que fomos chamados, é cumprir o mandato que Deus nos entregou no Éden, é crescer e multiplicar aqui, é trabalhar aqui, é ajudar no desenvolvimento da sociedade como cidadãos que através de seu papel zelam pela ordem, justiça, e propagação de valores que foram estabelecidos por Aquele que tem toda a autoridade no céu e na terra, o Rei dos reis e Senhor dos senhores. Como cidadãos de dois mundos devemos nos apropriar daquilo que Deus dispensa a todos através de sua graça comum. Devemos nos esforçar para transformar os aspectos culturais, sociais, políticos e outros, e trazê-los ao senhorio de Cristo.

Lembro-me de alguns homens da Bíblia que viveram como cidadãos de dois mundos, entre eles Abraão, Isaque e Jacó, que receberam a promessa de uma terra prometida e vaguearam por toda ela, mas que na verdade esperavam uma Pátria Celestial. Mas o exemplo que melhor ilustra esse homem de dupla cidadania é José, filho de Jacó, neto de Isaque e bisneto de Abraão, herdeiro com eles da mesma promessa. A história em Gênesis 37 nos conta que com a idade de 17 anos José foi odiado, invejado, traído e vendido por seus irmãos e foi parar no Egito como escravo. Ali ele viveu por mais 93 anos, nos quais foi escravo, prisioneiro, e por fim exaltado como segundo governante do Egito, abaixo apenas do faraó. Nesse tempo todo ele viveu no Egito e ali trabalhou, alcançou reconhecimento, fama, poder, riquezas, trouxe sua família para habitar ali e constituiu também sua própria família, ou seja, ele viveu como um cidadão egípcio assumindo e cumprindo com todas as responsabilidades que devia. Mas ao final de sua vida, já com 110 anos e perto da morte, ele reúne seus irmãos, filhos e netos, enfim a descendência de Abraão, Isaque e Jacó e diz: “Eu morro; mas Deus certamente vos visitará, e vos fará subir desta terra à terra que jurou a Abraão, a Isaque e a Jacó”. “Certamente vos visitará Deus, e fareis transportar os meus ossos daqui” (Gênesis 50.24-25). Isso nos mostra que apesar de José ter vivido quase que toda a sua vida no Egito como um cidadão egípcio, ele sabia que ali não era o seu lugar. Ele acreditava que Deus um dia iria tirar o Seu povo do Egito, ele foi até o fim crendo que Deus havia preparado um outro lugar, uma outra terra, um outro lar e descanso para os seus escolhidos. José à beira da morte tem uma convicção tão grande a respeito disso que pede que seus ossos sejam levados pois ali não era seu lugar.

Considerações finais

Talvez aqui caiba concluir com uma aplicação para todos nós que vivemos neste mundo não sendo dele.Vivamos neste mundo da mesma maneira que José viveu em terra estranha, trabalhemos, cuidemos de nossa família e criemos nossos filhos, em tudo honremos e glorifiquemos à Deus, e que nunca nos esqueçamos da promessa de que um dia Jesus voltará para nos levar definitivamente deste Egito. E ainda que venhamos a morrer, ainda que nossos ossos sejam enterrados aqui nesta terra, naquele grande Dia o nosso Libertador nos ressuscitará, nos dará um novo corpo e habitaremos para sempre na Canaã Celestial, a Nova Jerusalém, nossa pátria definitiva.

Texto do Prof. Claudio Braga
IPB Jaguaquara/BA
Batalhando Pela Verdade

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